EXERCENDO O FALICISMO PARTE 2 - AS CIVILIZAÇÕES ANTIGAS
Os
primeiros registros mitológicos envolvendo a sexualidade e a masturbação vem da
antiga Mesopotâmia, mais especificamente dos sumérios. Toda a cultura deste
povo, que data de 5000 a.C., foi bastante pautada na mitologia, muitas vezes
com natureza explicitamente sexual. A deusa mais antiga, Nammu, foi a
responsável pela criação ao dar à luz ao céu e a Terra. Posteriormente o mito
mudou, Nammu foi morta pelo herói Marduk que a cortou ao meio usando metade de
seu corpo para fazer o céu. Já o deus Enki, deus das águas doces, foi o
responsável pela criação dos rios Tigre e Eufrates. Segundo a mitologia, estes
rios foram criados pela masturbação e ejaculação de Enki em seus leitos secos.
Aliás, são comuns os mitos da criação de rios através da masturbação. A masturbação
era uma técnica conhecida por aumentar a potência Entre os sumérios, principalmente se praticada
com um parceiro. Muitas vezes um homem preparava uma mistura especial conhecida
como óleo de puru apenas para esfregar em seu pênis e deixá-lo ereto.
Acredita-se que o óleo era misturado a minério de ferro magnético, tornando-se
mais estimulante. Seja por adoração aos deuses, aumentar a potência ou
simplesmente obter prazer, a masturbação era comum e bem difundida entre os
sumérios, inclusive incentivada.
Não apenas
os sumérios consideravam a masturbação como um ato de criação. No Egito Antigo
acreditava-se que o deus Aton criou a si mesmo, e logo depois criou o universo
masturbando-se. Ainda se masturbando, gerou dois filhos, Shu e Tefnut. Foi da
ejaculação de Aton que os demais deuses foram criados para ajudá-lo a criar e
governar o universo. Após criar o universo, Aton se masturbava e ejaculava para
criar o mais importante rio para os egípcios, o Rio Nilo. O fluxo do Rio Nilo
nada mais era que a ejaculação de Aton, segundo a mitologia. Com isso, os
antigos egípcios entendiam que era obrigação do faraó manter o rio vivo. Para
isso, o faraó preparava uma cerimônia em ato ao deus Aton, onde ele se
masturbava às margens do Nilo e ejaculando exatamente dentro do rio, com
cuidado para não cair nenhuma gota de sêmen nas margens. Após o faraó ejacular,
todos os presentes deveriam fazer o mesmo, soltando seus sêmens no leito do
rio. Santuários em adoração ao deus Aton foram erguidos no Egito, onde os
frequentadores praticavam a masturbação coletiva em um ato ao criador. Também
as mulheres eram adeptas da masturbação, quando morriam, eram mumificadas com
os objetos fálicos utilizados por elas. Mulheres eram retratadas usando falos
enormes na cintura em cerimônias de homenagem a Osíris.
Na Grécia Antiga, apesar de ser vista com naturalidade, a masturbação era motivo de chacota na aristocracia. Para os gregos, um cavalheiro não deveria precisar se masturbar, pois ele tinha escravos, prostitutas e mulheres de classes sociais inferiores para saciar seus desejos. A masturbação era um ato para aqueles que não tinham acesso a parceiros sexuais, como os pastores de ovelhas e escravos. Na Grécia Antiga, o masturbador era digno de piedade (e de riso). Em Roma a questão não era muito diferente, a masturbação era a última forma de sexo a qual se deveria recorrer, ficando quase sempre restrita aos que não conseguiam parceiros sexuais. Apesar de natural e aceita, a masturbação nessas civilizações era, de certa forma, humilhante. Por isso não há muitos registros, pois era praticada escondida, mesmo por aqueles que não tinham acesso a relações sexuais, e inclusive pelas classes superiores, que não admitiam em hipótese alguma experimentar o prazer solitário. Já entre os indianos a masturbação não era bem aceita. Não era proibida, mas acreditava-se que se masturbar levava a perda de energia vital, e os homens deveriam evitar a prática para sentirem-se mais fortes. O sêmen era considerado pelos indianos como o elixir da vida, portanto deveria ser conservado dentro do corpo o maior tempo possível, eram os primeiros praticantes de cum denial que se tem registros. Para eles, a masturbação enfraquecia, e em excesso poderia levar a morte. Daí surgiram os princípios tântricos, abrangendo sexualidade e espiritualidade como forma de crescimento. A masturbação também foi muito explorada pelas civilizações pré-colombianas nas Américas. Documentos apontam para costumes sexuais que escandalizaram os espanhóis, que chegaram por aqui por volta do século XVI. A masturbação era um ritual importante para os Maias. Assim como outras civilizações mesoamericanas, os Maias acreditavam que a terra era um símbolo feminino que precisava ser fertilizada com sêmen. Então, os mais se masturbavam com o intuito de fertilizar a terra, e os homens que o faziam eram tidos como heróis. Um homem ao ficar excitado estava recebendo um chamado da terra, o qual ele não deveria recusar. Ter o sêmen exposto sobre a terra era um ato de agradecimento ao criador.
Incentivada ou não, a masturbação fez-se bastante presente nas civilizações antigas, e com muita força da presença do falo. O interessante é notar que essas civilizações louvavam e adoravam o falo independente umas das outras. E é essa adoração que atravessa o tempo e chega até a modernidade com vários rituais de adoração diferentes em diversas custuras.
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